sábado, 23 de outubro de 2010

Vale do Araguaia, o candidato, o voto e o Estado. Eleitor (in) consciente?


          Em toda eleição a história é a mesma, nos deparamos com os mesmos dinossauros políticos, parasitas que não se cansam de viver a custas do povo. Usam e abusam do poder econômico para ganhar uma eleição, tornando a campanha dos demais candidatos pouco notada. Os veteranos conhecem as artimanhas políticas, fazem campanha com promessas de ocasião, usando da boa fé do povo mato-grossense, e levando na conversa eleitores de regiões esquecidas como o Vale do Araguaia.
          Este ano participei da minha primeira campanha, e tenha certeza, aprendi muito. Nasci em Barra do Garças, morei em Alto Boa Vista, aos 20 anos fui morar em Cuiabá em busca de oportunidade que a região do Araguaia não podia me oferecer (no ano de 2002 havia poucas opções de cursos universitários na região). Decidi cursar Engenharia Florestal, e passei em 7° lugar na UNEMAT, campus de Alta Floresta, fui presidente do Centro Acadêmico de Engenharia Florestal, bolsista de iniciação científica pelo CNPq e pela FAPEMAT, publicoi diversos artigos, inclusive em revista científica conceituada. Depois de formado trabalhei na região norte do Mato Grosso, mas como disse Calixto: “o bom filho a casa sempre retorna”.
          Voltei depois de 8 anos, e fixei residência em Querência, onde tenho um escritório de Engenharia. Por que estou contando isso? Para que possam me conhecer. Essa foi minha primeira campanha e obtive exatos 261 votos, sem apoio, sem experiência e sem dinheiro, e me orgulho pelos votos recebidos em 24 municípios, aprendi muito e com toda certeza saberei como fazer melhor na próxima.
Antes e depois da eleição, li diversos artigos que falava sobre o numero de candidatos que iria atrapalhar a eleição. Discordo.
          O que atrapalhou foi não ter combinado com prefeitos, vereadores e até mesmo com a população do Vale do Araguaia que era importante apoiar e votar nos candidatos da região. São mais de 200 mil votos, daria tranqüilo para eleger 2 ou 3 deputados, desde que os votos fossem regionalizados. Mas será que isso era possível? Porque não! O nortão teve mais candidatos que o Vale do Araguaia, e elegeu: 2 em Alta Floresta, 1 em Colider, 2 em Sinop, 1 em Sorriso. O eleitor do nortão regionaliza o voto.
          A falta de representatividade regional, assim como a ambição de determinados políticos que a todo custo querem ser o mais votado, o que o torna um exímio pescador, e assim com o uso de favores políticos e abuso do poder econômico saem campeões de votos das urnas. Esse tipo de situação só nós faz pensar na importância da independência do Araguaia.
          O estado de Mato Grosso possui dimensões consideráveis, e uma enorme desigualdade regional, e municípios que de tão distante de Cuiabá, adotam cidades como Palmas, Gurupi (TO) ou Goiania (GO) como capital.
          Portanto, esse é o momento de pensar grande e trabalhar para diminuir as distancias e lutando pela criação do Estado do Araguaia. Existe o projeto do Senador Mozarildo Cavalcanti, que convoca o plebiscito, e pelo menos desta vez poderíamos, digo, nós eleitores, ter um voto unanime, votar pelo Araguaia. Sou entusiasta da idéia e relembrando a história: Tocantins, Mato Grosso e Rondônia são testemunha de que a divisão somou inúmeras cifras, consideráveis mudanças e evidente desenvolvimento. A esses estados, a divisão só fez bem, e hoje despontam como estados que crescem acima da média nacional. E como nativo do Araguaia e fiel entusiasta, tenho ampla certeza que para o Araguaia será importante “dividir para somar”. Será que temos consciência disso?

Rodrigo Gomes Vieira, Engenheiro Florestal, Esp. em Gestão e Manejo Ambiental na Agroindústria, Querência/MT.
Skype: engenheiro.rodrigovieira

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